“Tu perguntas o que a lagosta tece lá embaixo com seus pés dourados ? Respondo que o oceano sabe.
Por quem a medusa espera em sua veste transparente ?Está esperando pelo tempo, como tu.
‘Quem as algas apertam em seu abraço…’, perguntas ‘mais firme que uma hora e um mar certos ?’ Eu sei.
Perguntas sobre a presa branca do narval e eu respondo contando como o unicórnio do mar, arpoado, morre.
Perguntas sobre as plumas do rei-pescador que vibram nas puras primaveras dos mares do sul.
Quero te contar que o oceano sabe isto: que a vida, em seus estojos de jóias, é infinita como a areia incontável, pura; e o tempo, entre as uvas cor de sangue tornou a pedra dura e lisa, encheu a água-viva de luz, desfez o seu nó, soltou seus fios musicais de uma cornucópia feita de infinita madrepérola.Sou só a rede vazia diante dos olhos humanos na escuridão e de dedos habituados à longitude do tímido globo de uma laranja. Caminho, como tu, investigando a estrela sem fim e em minha rede, durante a noite, acordo nu. A única coisa capturada é um peixe dentro do vento.
““
Pablo Neruda
Acabo de chegar (não sei ao certo o caminho que tomei) até esse blog.
Adorei os posts, e este último acho que ainda terei que ler mais algumas vezes, mas tudo bem. ;D
Mas estou com muito sono agora (são 5 da manhã), então voltarei aqui quando acordar. De qualquer forma, só queria deixar um comentário - eu nunca faço isso em blog nenhum, mas este eu realmente gostei.
Voltarei sempre aqui.
Parabéns pelo blog.