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Arquivo da categoria ‘Rabiscos viajantes’

suave como a brisa

A menina sentou no balanço e tomou impulso.
Entre um toque e outro do pé sobre a grama o balanço tomava altura, até ganhar o céu. Enquanto se deixava levar pelo ar, a criança nem se preocupou com o vestido, mas estava tudo seguro, do jeito que tinha que ser. Seus pés já não precisavam do [...]

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OBS: Acontece de às vezes eu não me lembrar da pessoa que fui ontem, portanto, fico sem entender quem eu era quando escrevi este texto.
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Eu te odeio.
Queria que você caísse numa cova e nunca mais fosse  encontrado, queria mesmo. Além do mais, eu não sentiria nenhum remorso de ser a única pessoa a saber que [...]

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Para o que der e vier, diziam-se um ao outro.
Mas nem para o que desse, nem para o que veio. Não passaram de promessas ingênuas, confianças momentâneas, segredos que foram trocados somente porque não conheciam outro uso para os seus pedaços de intimidade. Entretanto, foi dolorosa a convicção de que todas as pessoas são substituíveis [...]

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O homem de terno cinza continuou seu caminho como se nada estivesse acontecendo. Realmente, nada acontecia além da rotação da Terra e tantas outras coisas que aquele pobre alienado não conseguia perceber. Eu queria dizer que a culpa não é dele, o fato de estar passando às cegas por tudo ao seu redor é explicável [...]

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Ela só tinha perspectiva, mas naquela idade não poderia ter outra coisa. Dois dias passam rápidos, um ano mais ainda, está para chegar o dia em que terá sonhos jogados no asfalto. Pelo menos tem consciência disso, sonhos não são feitos de cal e tijolo,  e ideias são que nem farinha, basta uma ventania e [...]

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Dizem que em março as águas vêm, lavam tudo, levam consigo o que estiver solto ou fora do lugar. Mas chega abril e todos os objetos e sentimentos já estão espalhados, marcados pelas águas que passaram noutro mês. Agora é só sentar, ver o mundo girar e olha que sentado, completamente despreparado vem o vento [...]

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a casa das dores

Quero falar daqueles lugares que cheiram a formol e cloro, com paredes marfim-levemente-manchadas.
Traumatizante é conseguir chegar onde deseja, quando nem mesmo se encontrar é possível. Labirintos, escadas, corredores sombrios com aromas. E tem gente que ali vive, melhor dizendo, ali  sobrevive.
A morte nesse ambiente é mais do que visitante, sua entrada é franca  e constante. [...]

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Enquanto observava os movimentos rotativos de um ventilador que não ventilava, mas que apenas gastava energia, ela repassava na memória cada palavra que ele lhe disse como se estivesse recitando um poema.
” Eu te quero muito mais além.
E não vou a Belém,
logo, não diga adeus,
só “fica com Deus””
E deixou  um beijo carinhoso  na testa dela [...]

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Às três da tarde
um pinguinho de maldade
escorregou pela folha e
morreu antes da verdade.

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o amor possesso

O sol já despontava sinais de partida ao incendiar o céu de um vermelho sangue. Nesse momento, a rua de asfalto molhado era atravessada com muito cuidado pelo Padre Tomás, que contava os próprios passos, como se não quisesse sair do lugar, receando atingir o seu destino. Havia uma ânsia de estar lá, ao mesmo [...]

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