Feeds:
Posts
Comentários

Archive for julho \31\UTC 2008

Eu não existo sem você

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe

Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste

Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você

Vinícius de Moraes

Read Full Post »

Se alguém me pára e perguntas qual meu livro favorito eu sempre fico tentada a responder : “O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë.” Mas esse é o tipo de pergunta mais cruel que alguém poderia me elaborar.

Sim, ele é o tipo que de primeira eu destestei, porque na primeira vez que o peguei pra ler não tinha idade suficiente pra entender sua profundidade ou sua linguagem.

Deveria estar na sexta série, mas não era porque eu gostava de José de Alencar (que por sua vez também era um escritor romântico) que eu ia gostar do Morro, porque esse é sem dúvida muito mais complexo que José de Alencar (que na minha opinião é de conteúdo bem simples).

Por isso eu não consegui passar do quarto capitulo e lancei o livro contra a parede, o resultado disso foi que o pobre coitado não resistiu e se partiu ao meio.

Hoje entendo que o meu livro era tão sensível quanto os personagens que participavam da história.

Então ano passado Dóris me incentivou a tentarmos ler esse livro juntas. Foi uma leitura perfeita quando na verdade eu não esperava nada.

Naqueles dias acredito que eu já tinha maturidade suficiente para viver a história, uma história bem intensa.

———————————————————-

Conta-se sobre um amor, um amor impetuoso e temperamental. O amor obsessivo que não aguentou a pressão que o sufocava. Um amor colérico que não teve a oportunidade de ser tocado e vivido. Um amor que destruiu a todos que ousavam ameaçá-lo. O amor que se alimenta, até rompe barreiras como a morte

Heathcliff e Cath, o leão e a cobra venenosa. O que eles tinham em comum? Apenas o temperamento que dividiam, eram como dois animais que facilmente se irritavam e guardavam rancor , mas que sabiam ser ferozes na sua natureza de forma avassaladora.

Os dois só encontravam a calma e o sossego apenas próximos um do outro. Eles só conseguiam ser verdadeiramente eles mesmos quando se encontravam lado-a-lado. Eles eram inteiros juntos.

Ninguém os suportava individualmente, mas juntos eles se entendiam.

Cath Earnshaw uma menina mimada, interesseira, egoísta e de pavio curto. Ela era a filha mais nova do Sr Eanrshaw, trabalhador honesto e proprietário do Morro dos Ventos Uivantes, onde morava a família.

Que naquela época (séc. XIX) era uma região selvagem, desolada, varrida pelos ventos do norte.

A história é contada pela Sra Dean, a governanta da casa que viu as crianças Earnshaw crescerem e darem adeus à suas vidas infelizes.

Uma noite Sr Earnshaw chegou de Liverpool com uma criança misteriosa que encontrou na rua e ignorando as reclamações e contrariações da sua família ele resolveu adotar a criança, dando-lhe o nome de Heathcliff.

Heathcliff cresceu entre os irmãos Earnshaw, como se fosse o favorito de todos. O que acabou conquistando o ódio de Hindley e inicialmente os ciúmes de Cath. Mas logo a menina abandona qualquer sentimento de desprezo por Heathcliff, que era calado e aparentemente tímido.

Apenas o Sr Earnshaw que conseguia proteger Heathcliff dos maus-tratos de Hindley, mas só foi o velho morrer que a mordomia de Heathcliff foi parar no chiqueiro.

Cath então tornou-se a única que realmente tinha algum interesse amigável por Heathcliff, ela passou a ficar mais tempo com ele, brincando pelos arredores do Morro.

Aquilo tornou-se mais do que um amor infantil tentando suportar as barreiras de um irmão violento.

Mas não aguentaram, Cath foi incentivada a casar-se com Edgar, um jovem podre de rico que morava numa propriedade próxima, de uma maneira que enterrou o coração de Heathcliff para sempre.

Ele vai embora da vida de Cath para voltar rico e tentar reconquistá-la.

Daí pra frente a história só vai ficando cada vez mais intensa, pois Heathcliff torna-se um homem profundamente amargo e ainda mais frio. Cath passa a ser uma mulher mais sensível, rabugenta e frágil.

Tão frágil que morre no parto. Morre e leva junto o pouco que restou do coração de Heathcliff.

Ele já não tinha mais pelo que viver, senão para destruir a vida daquelas pessoas que jogaram a sua no buraco escuro do abismo.

Todos sofreram nas mãos de Heathcliff até morrerem. Ele tornou o sofrimento daquelas pessoas lento e doloroso até não aguentarem mais. Uma das vítimas das maldades de Heathcliff foi a filha de Cath, que também tinha o mesmo nome da mãe.

Ela tinha um pouco do gênio juvenil da mãe e a doçura do pai, Edgar. Ela enfrentou Heathcliff – apelidado por ela de monstro sem alma – com punho erguido até o fim. E venceu;

Existem personagens que me conquistaram muito, mas que não falarei muito deles para deixar todas as atenções para o casal incompreendido. Entre esses personagens está Hareton – filho de Hindley – e Edgar – marido de Cath .

———————————————

Eu não saberia dizer o que me fez apaixonar por esse livro, mas em poucas palavras foi a violência e intensidade dos personagens, mais a linguagem sofrida e furiosa da escritora. Não é um livro que a gente lê, mas que sente.

Sente a paixão, sente o ódio, sente a dor. Sente tudo em dobro.

Read Full Post »

Era um dia comum. Comum porque as folhas das árvores dançavam conforme a música do vento e acima dessa balada o céu lembrava um teto azul com uma lâmpada amarela que chamuscava o cocoruto de quem estivesse caminhando pela rua, no caso eu.

A rua apesar de ser ladeada de casas parecia um deserto e aquele sol a me castigar faria qualquer um me confundir com uma morta-viva (quase literalmente) em cima daqueles paralelepípedos.

Ô vida, por que me obrigas a ter que passar por isso?

Acho que nem estava mais andando, cheguei a uma fase mais “flutuante”, se haviam obstáculos no caminho eu passava entre eles inconciente, foi como se houvesse um bloqueio entre o mundo real e o da fantasia.

Ok, estou enchendo liguiça, a verdade é que eu tava mesmo viajando na Hellmans e culpando o sol.

Estava num momento tão drug, aqueles em que a gente fica pensando na vida (ou asneiras), em que a gente nem pensa no que ta pensando, nem percebe mesmo o que tá rolando no cérebro. Que até agora não me recordo bem em que parte dessa “viagem espacial fora da Via Láctea” que aconteceu algo muito, mas muito mas supermegahiper estranho.

Sei que eu comecei a rir do nada, caí na gargalhada, tipo me dobrei de rir, me matei de rir, a situação era tão extrema que tive de colocar a mão na barriga de tanta dor que já sentia. Teve uma hora em que um carro parou do meu lado pra me perguntar se eu tava passando mal, pq eu minha cabeça já estava encostando no chão. Mas quando o velhinho viu que na verdade eu “chorava de rir” ele quase acertou um porrete na minha cabeça.

Agora imagina uma menina andando naturalmente pela rua e de repente se parte ao meio com as mãos segurando a barriga, só pode estar morrendo, né.

Eu ria tanto que ja não sabia do que estava rindo, eu gritava o riso, engasgava o riso… e meu rosto teve mais cores do que um camaleão.

Eu tentei gente, o pior é que eu tentei parar, eu tentei controlar aquela crise porque já estava chamando atenção das pessoas. Também não sei como, não sei mesmo explicar daonde surgiam aquelas malditas pessoas, acho que saiam dos arbustos porque antes aquela rua não passava uma alma-penada, era até alvo de estupros e assaltos. Ai meu bom pai… desconfio seriamente que isso seja obra de Disco Voadores ou coleguinhas de Harry Potter, porque aquilo não tem uma explicação decente.

Eu só podia estar rindo do vento, ou sei lá deveria ter algum pó do Coringa no ar. Eu já estava morrendo, fazendo xixi em área pública.

Ahhh sim, me lembrei… eu ria de uma foto… rsrs

Não sei pq isso me ocorreu, foi há tanto tempo.

Uma foto que … aiai… ela é terrível, o cúmulo da derrota. Como eu fui me lembrar disso? Ninguém sai tão, mas tão tão feia como eu e minhas amigas.

Eu me recordo bem que nós estávamos sentadas na varanda da casa de Gisele e ela disse pra gente esquecer que Beissudu estava fotografando a gente. Que era pra gente sair natural na foto, ela mandou (extamente nessas palavras) a gente fingir que estava viajando – mal tou conseguindo digitar isso, tou rindo demais -. O resultado foi.. dsahuuiuuofshuufd… digamos de passagem… ABSURDA.

Ela realmente ficou muuuuuuuuito viajante, mas muito real. Era em sépia e nós parecíamos saídas de um filme de terror (ou comédia). Era tão real que só faltava a gente se mexer na foto.

Não chegamos a ver foto naquele dia, mas Gisele a revelou num tamanho grande e pra completar minha tristeza ela a colocou na mesinha da sala onde era impossível alguém entrar na casa e não ver aquela coisa assustadora em moldura.

E como amigas muito presentes eu e Dóris íamos a casa de Gisele todos os dias, então um BELO, ILUMINADO E MARAVILHOSO dia a gente se deparou com aquela figura na mesinha da sala.

Gente, minha vontade foi de lançar fogo ali, nem parecia que era nós três naquele pedaço de papel.

Gisele (a mais razoavel) com cara de prostituta entediada com a cabeça apoiada nas mãos. Dóris séria, sentada numa cadeira e com cara de mulher grávida da favela com vinte filhos pra criar. Eu sentada no chão com as costas apoiadas no vidro da varanda, com cara de… (quase não quero digitar)… quem fumou meses atrás mas ainda tá sentindo o efeito, ou cara de quem estava andando de skate e bateu a cabeça no poste. Sim… pq eu pisquei na bendita hora em que Beissudo clicou a máquina.

Pelo menos se a foto fosse pequena, mas não…

Parecia tão real, pq aquela foto retratava ao mesmo tempo a nossa personalidade – eu devo estar doidona pra dizer isso –

O pior era que Gisele insistia que não estava tão feia aquela foto (ela usava óculos deveria estar com uma manchona nas lentes) e deixou aquele porta-retrato ali por um mês. Até que enfim, depois de longas jogadas inúteis e chantagens emocionais eu e Dóris bolamos um plano macabro pra roubar a foto. Sim, nós assaltamos nossa amiga.

Foi engraçado.

Eu ri disso… daquela figura cômica. Acho que não conheço ninguém que tenha olhado aquela foto e não tenha rido MUITO.

Talvez por isso eu não a coloque aqui, Dóris deu um sumiço nela. E por mim tudo bem que ela esteja nas mãos dos duendes, menos mal.

Acho que só consegui cessar aquele ataque, aquela crise incontrolável de riso quando cheguei rastejando na porta da igreja.

E rezei pra isso nunca mais me acontecer.

Ainda sinto as cincatrizes que ficaram entre meu intestino e minha bexiga.

Um beijo a todos

Read Full Post »

O ciclo da vida

A vida tem uma história por dia. A história tem um zilhão de palavras por segundo.

Todos os dias são segunda feira. Todos os dias são contados pelas mesmas palavras.

Não importa se gastamos um tempo que não existe fazendo algo que não nos levará a nada.

Também não tem importância se o que alguém faça, possa mudar o curso do mundo.

O mundo é contado pela mesma história.

E todos já a conhecem.

O homem anda em circulo, como qualquer animal.

Ninguém tem uma vida diferente disso: nasce, cresce, pode contruir uma família ou viver sozinho ou compartilhar solidão pra depois morrer.

É um ciclo.

Como se alguém tivesse imposto isso: antes de completar um ano vc vai ter que aprender a andar (não se perguntam se queremos ou temos capacidade para fazer isso)

É a ordem natural das coisas, um dia vamos ter que falar. Se não conseguimos somos classificados de especiais.

Entende assim como todos os dias são iguais? Todos os dias temos que aprender algo que alguém já aprendeu.

Mas se inovamos tbm não importa, é algo que depois alguém tem que aprender.

Toda segunda podemos aprender algo novo, ou nada. Porque nada é novo.

É sempre segunda pq não há diferença entre um dia e outro se todos tem a mesma cor.

Somos ofuscados pela cegueira branca:

Vamos viver como manda a vida.

Ou como alguém disse que assim que se vive:

Em alguma segunda-feira vc vai ter que aprender a morrer, ou pode simplesmente viver muitas segundas sem experimentar isso. Mas um dia vc vai ter que deixar de existir.

Mas ninguém se importa: o convencionalismo anda de mãos dadas com o conformismo.

Tudo é normal, como a guerra que acabou ontem é parecida com a de amanhã.

Podem até mudar as armas, os castelos.

Mas como todas as outras guerras: algum lado tem que perder.

Alguém por ai deve se perguntar pelo que vale viver.

Só que o belo de viver a vida são os outros viventes.

Aqueles outros limitados que vemos toda segunda são os que nos fazem continuar aqui.

O amor é sempre uma coisa nova, uma aprendizagem diferente.

Ele algo acima da descrição das palavras.

Dizer “eu te amo” deve ter menos profundidade do que o ato em si.

Eis um desafio aos poetas.

-Fran

Read Full Post »

Poética

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.

Vinícius de Moraes

Read Full Post »

Revolução

Somos nós, aquelas pessoas que moram em casas comuns, pessoas normais, que andam em círculos e não são ricos.

São essas pessoas com problemas comuns, felicidades comuns.

Gente assim, que vive pra si, fechados e limitados.

Escrevendo para ninguém e vendo as coisas que se repetem dia por dia.

Também não temos ideologias, apenas sonhos pequenos.

Mas nós sabemos que mudaremos o mundo.

E já estamos nos preparando, sozinhos, procurando um pelo outro.

Distantes, com planos estranhos

Que não levarão à nada

Mas nós revolucionaremos, só não sabemos quando,

Nem como e pra quê;

Mas só estamos esperando a hora.

A hora de nos juntarmos para respondermos essas perguntas sem interrogação.

Read Full Post »

Bananas-assassinas

Read Full Post »

Older Posts »