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Archive for outubro \23\UTC 2008

ele em toda sua bondade entendeu

ao amor contrariado.

Não sei ao certo o que estou fazendo ou se realmente devo começar. Sei que existe aquela mínima possibilidade de você nem passar por aqui, nem perceber esse post, mas alguma coisa me diz que isso não acontecerá, que você virá aqui como sempre o fez porque ainda não me esqueceu, e hábitos, eu sei o quanto hábitos são dificeis de abandonar, principalmente quando são aqueles que te mantem vivo.  Eu tenho que fazer isso. Admito que existe muita gente a quem devo desculpas, mas nunca pequei com essas pessoas como com você. O que eu poderia fazer? Você me conhece, sabe que sou covarde, incapaz de te olhar nos olhos – mesmo quando suavemente virava meu queixo na sua direção – e eu não poderia encará-lo porque sempre soube que me perdoaria. Preferia que arrancasse toda minha pele com uma agulha a ouvir aquela voz meiga e calma me dizendo que está tudo bem, ao mesmo tempo que seus olhos cor de água não conseguem disfarçar a dor que te fiz sentir. Sou como uma cobra que te morde, impregnando o seu sangue doce de veneno , não por maldade, mas por medo, como uma espécie de mecanismo de defesa. Eu sempre tive medo, você ainda se lembra disso? Talvez por me conhecer de verdade – inúmeras vezes já me provaste  – você sempre soube dos meus temores e por isso nunca desistiu de me proteger. Admiro essa força daqueles amantes que em seu ímpeto são capazes de aguentar a tudo, até a espera e a rejeição. Não mereço o seu amor. Mas como eu poderia adivinhar que nunca sentiria na mesma medida o que vc ainda sente por mim? Nunca tinha provado o amor antes, meu querido. Ele veio quando eu menos esperava e me assustou, na verdade eu nunca estive preparada por algo com tanta intensidade.

Me desculpe. Aquela voz que grita na minha consciência não quer partir, me remoendo por cada ferida que marquei em você. Mas seu amor me fazia tão bem, era o melhor lugar do mundo, com que forças eu poderia me afastar da sensação de estar sendo protegida? Por isso foram meus olhos que te deram a esperança que você tanto procurou em mim – como alguém procurando a flor rara na selva jamais explorada – foram meus lábios que disseram “tenho medo, não vá embora” e você acreditou na imensidão dessas seis palavras.

Agora temo o que deve pensar de mim, imagino que pra você tudo aquilo não tenha passado de um jogo cruel, como se eu estivesse brincando com seus mais frágeis sentimentos. Morro a toda hora que me passa pela cabeça essa idéia, porque a última pessoa que eu queria magoar ainda nessa vida é você, meu querido. Tantas vezes repeti desesperadamente para mim mesma que te amava, e com toda força que eu pudesse ter, tentava me hipnotizar com essa palavra  “euteamo”, mas apenas para me convencer disso. Sim, eu queria muito te amar de verdade. Busquei no mais fundo da minha alma algum sentimento apaixonado por você, mas apenas encontrei um poço de vazio e depois qualquer coisa mais próxima de amizade. É que eu sempre acreditei no amor e tudo aquilo que ele representa para o mundo, mas para os desvarios dos poetas, descobri que começar a amar não é fácil. O amor forçado consegue ser doloroso pela capacidade de sentir você incorrespondido em toda sua solidão. Isso porque já ouvi dizer que não são os amores bem sucedidos que transformam o mundo e sim os contrariados. Mas mesmo assim eu não podia continuar a fingir amor por você, era a maior maldade humana possível. Então fico sem entender o que será que um homem tão bom viu em mim? Por que não desistiu a tempo,  meu Deus? Eu estava ali, te açoitando, mas você com sua natureza seria impossível revidar. Afinal não tinhamos nos dado tão bem da primeira vez que nos vimos, um cara chato e implicante eu queria era distância,  você até notou meu desdém e não se importou. Reflito em que momento os sentimentos mudaram, quando a roda girou ao inverso e a brincadeira resolveu ter outras regras no meio do jogada, talvez tenha sido no dia em que inesperadamente você me deu seu ombro pra chorar. Tenho certeza que te assustei, você me conhecia como uma pessoa fria e esnobe, mas de repente eu contrariava a sua primeira impressão. Como alguém em prantos, eu não tinha a mais ninguém a quem recorrer e me deixei -ainda com receios – ser consolada por você. Naquela hora descobri o quão doce você era, o quanto seus braços me protegiam quando eu era apertada contra o seu peito. Eu me senti imensamente bem, você não me disse nenhuma palavra, seu consolo estava apenas no silêncio do seu abraço, foi como se sempre tivesse me compreendido e sabia que naqueles momentos palavras são inúteis. Nunca me senti tão pequena, minha estatura foi se tornando pequenina, sua proteção me diminuía, sei que era só uma sensação, nada acontecia além da sua grandeza de homem ocupando todo o meu corpo, tornando-o menor do que realmente era. Então repito que me sentia bem, apesar de minhas lágrimas tempestivas inundarem sua camisa preta – aquela que você passou a usar sempre – você nem ligou, não me soltaria nunca mais, por nada nesse mundo queria me deixar sozinha, como se eu fosse a criança abandonada na porta da sua casa numa cestinha, você quis me salvar, levar para um lugar seguro, longe daquela escuridão fantasmagórica, para cuidar de mim. Desde o começo a culpa foi minha, eu deixei, inconsciente, eu deixei. Nunca um homem esteve tão próximo de mim. E eu queria você do meu lado, daquele jeito pra toda eternidade, que aquele momento não passasse, que o mundo parasse de rodar, porque “eu tenho medo, não vá embora”. Seu rosto roçando o meu, implorando para que nunca desgrudasse minha pele da sua. Talvez naquele momento você realmente estivesse rezando, eu senti isso. Eu senti, como em todos os outros dias que vieram depois, a profundidade do seu amor. Ele era tão intenso que eu nunca poderia te recompensar. E eu não fui a única a notar, todos ao nosso redor perceberam o brilho dos seus olhos e até mesmo passaram a escutar as batidas vibrantes do seu coração quando estava próximo de mim, e eu queria, rogava a Deus que o meu batesse no mesmo rítmo que o seu algum dia ,e no final, fossem uníssonos, a metade inteira dentro do peito de cada um. Então tudo seria nosso, meus amigos seriam seus, os seus seriam nossos. Eu estava sonhando, pobre de nós dois. E ainda culpava as inocentes pessoas que diziam admirar nós dois juntos, que éramos o casal mais lindo – sem saber que a beleza estava apenas em você – , e faziam papel de cupido falando por ai que íamos nos casar. Foi então que desisti, desisti das nossas mãos que não se encaixavam, das nossas vidas que não combinavam, de nossas batidas que não se acompanhavam.

Depois de tudo que você lutou, de tudo que perdeu, ainda teve a integridade de dizer: está tudo bem.

Eu menti. Sempre soube desde aquele abraço que nunca conseguiria te amar. Você até pediu, implorou que precisávamos continuar a  tentar. Mas eu não podia, não podia continuar a te fazer sofrer, a ter suas chagas sendo cada dia mais abertas, mais doloridas e ainda assim não parar de sorrir, apenas para me passar um pseudo-segurança. Aquele teatro tinha que acabar. Desculpe-me, mas não havia outra forma de ser mais delicada, você bem conhece a minha natureza.

Mais uma vez perdoe-me, eu não te amo.

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Emoções perdidas no fim,

palavras às vezes são como flores de alecrim.

Claras, delicadas e suaves

podem não existir.

Dos lábios pro céu, do chão pro ar,

presas podem sufocar.

É silêncio maior escrevê-las

do que se calar.

Quando partem da boca pra fora

acabam com o vento indo embora.

Prefiro guardá-las no lado escuro do papel,

onde são sacudidas como favo de mel.

Elas  são espíritos, são vida

dentro dos poetas, onde não ficam escondidas.

Espalhadas pelos quatro cantos do mundo

quero ver varrerem-nas desse chão imundo.

Uma palavra doce ou violenta

pode ter o gosto de uma pimenta.

Outra amarga ou ardida

pode ser uma alma perdida.

Estão no seu adeus,

no meio do olhar que é meu.

Nas despedidas nostálgicas

caladas pelo estranho breu.

As palavras são nosso sentimentos exprimidos,

Mas no fim do dia podem não ser mais

do que corações partidos.

Todas são um risco.

Elas não voltam atrás,

ditas ou não ditas,

ai daquelas que foram contidas.

Mortas… sujas… sumidas.

Onde vivem elas?

Fran (;

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Em algum lugar do Passado

Eu primeiramente pensei em fazer um culto ao livro, mas depois pensei: o filme também merece.

Talvez porque eu tenha visto o filme antes de ler o livro – que já estava há bastante tempo acumulando poeira na minha estante – só peguei nele mesmo depois de me encantar com o filme. Imaginem a surpresa que fiquei quando vi o lendário superman, foi demais. Sim, Christopher Reeve, estava no papel de Richard Coulier, mas Jane Seymour tbm brilhou como Elise McKenna.

É romanticamente bem elaborado o filme que hoje já pode ser chamado de cult.

Resenhando o filme:

Richard Coulier é um cara de 1980 que se apaixona por uma mulher de 1912. Parece meio platônico, não? Completamente.

Acontece que esse homem lindo de 36 anos ficou seduzido por uma foto que era parte do museus de um hotel vitoriano.

A foto não era de ninguém menos do que Elise Mckenna, uma atriz de teatro estado-unidense muito famosa… daquela época. Richard se encanta tanto com a beleza da foto que sua vida se limita apenas nela. Ele alimenta sua obsessão pesquisando sobre a atriz em todos os livros que pudesse encontrar informações biográficas. Sua obsessão é tamanha que acaba querendo viajar no passado de maneira ou de outra. ELE TINHA QUE ENCONTRÁ-LA!

E não é que conseguiu? Através de um truque de auto-hipnose o cara deu um jeito de voltar 75 anos no tempo. Ele procura por ela, tenta conquistá-la, mas se espanta oa descobrir que a amada já esperava por ele.

É isso ai, não posso continuar, final de filmes ninguém gosta de saber!

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Clarice Lispector

“(…)Estou por assim dizer vendo claramente o vazio
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,e não me alcanço.
Além do que:
Que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
– já me aconteceu antes.(…)”

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A Tenda Vermelha

Acredito que minha sensibilidade se aflora sempre que leio um bom romance. Mas esse aqui é mais do que um bom romance, em outras palavras essa é uma grande história que não seria tão torturosa para corações sensíveis se não fosse literalmente real. Se bem que a narrativa da autora deve ser muita considerada na hora de julgar esse livro.

(mais…)

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