Feeds:
Posts
Comentários

Archive for março \30\UTC 2009

oh, mundo cruel

Hoje e por muito tempo acho que só terei uma infinidade de três pontos.

conchas_1271_1280x960

Assim como uma concha marinha na areia, aparentemente seca, morta, sem graça, estou só na carapaça sem vida, pedindo que não caiam águas do céu, mas sim qualquer coisa mais parecida com “milagres”. Mas o que me alcançam são só aquelas mãos humanas fingindo interesse por mim, essas mesmas que acabam não me levando de volta pro mar, apenas mais distante de casa. Para em seguida se esquecerem de mim, me abandonarem em qualquer lugar onde já não são capazes de me avistarem. Não me sinto como um peixe fora d’água, mas uma concha velha num canto empoeirado de alguma casa.

Anúncios

Read Full Post »

Não costumo escrever em momentos de felicidade – acho que nunca fiz isso – mas como hoje só estou numa felicidade morna, talvez assim eu consiga falar como se estivesse na felicidade extrema da sexta-feira.

Será que existe alguma forma de falar de  sorrisos rasgando bocas, bochechas doloridas, estômagos amassados e quedas ao chão como se fossem coisas boas? São sensações estranhas que não teriam intensidade nas palavras sem um formato, digamos, dosado de sinestesia. Afinal, não passam de dores bem vindas. Quem “é feliz” deve gostar de se torturar, mas é feliz demais para admitir.

Está bem, não me expliquei direito, acho que não existem pessoas felizes, apenas momentos felizes… enquanto existem aqueles que tem MUITOS desses momentos, outros são pobres disso. Talvez porque querem. Talvez sejam bofetadas da vida, vai saber, cada um com sua tristeza.

Mas sem mudar o foco…

Começo a achar que esse papo é coisa de gente banal, mas não tem como mesmo, é preciso afirmar a idiotice de se ser. Felicidade e idiotice estão no mesmo polo das reações, então ironicamente falando, “infelizmente” tem que ser assim: UM POST IDIOTA.

Lá se foram os sentidos que eu podia preservar

Felicidade é um gosto açucarado na língua,um hálito de chocolate, um vermezinho no fígado bem agradável, quase um bicho de pé que nao temos coragem de tirar. Enquanto os risos são a trilha sonora, os olhos são incapazes de se manterem abertos e às vezes ainda tendem a chover. Isso me faz refletir a relação que tem a felicidade com a chuva, aquelas águas que caem do céu nos induz a sorrir, a brincar, correr e qualquer palhaçada que num dia de sol você não teria senso de juízo para fazer. Quem foi pego de surpresa por essas águas e está sendo banhado por elas já deixou cair todos os planos, já está livre  e molhado. Muitos correm pra fugir dela, outros apenas aceitam a liberdade que as nuvens mandaram e simplesmente se deixam levar. A vontade é de abrir a boca, colocar a língua pra fora e provar o sabor da felicidade. Também quero abrir os braços, rodar em volta de mim, uma hora estranha, fora de si. Não deveriam existir razões para esse tipo de estado de espírito acontecer, ele apenas tinha que fluir do nada para o nada. Mas são emoções humanas, e para qualquer coisa que acontece há uma reação, felicidade ainda não é uma ação.

Outro dia relerei isso, me arrependerei de ter publicado, mas por enquanto não quero me importar com a besteira que eu sou.

Sim, eu tomei banho de chuva, pulei em poças e nem liguei para aqueles que me observavam.

Read Full Post »

humor f-errado, oras

Hoje eu queria fazer algum sentido, queria mesmo.

Fico pensando no que tenho a dizer em dias nublados,

mas eu ainda gosto dos dias claros, quando estou bem comigo.

Talvez não seja culpa dos dias marcados

com muita chatice, pelo céu errado.

Não entendo minhas tristezas sem razões,

nem minhas felicidades desesperadas,

meus risos exagerados,

e tudo aquilo que não sei controlar.

O que é espontâneo às vezes passa a impressão certa

e não sei se gosto dela.

Read Full Post »

sobre olhar e ver

Quero falar daquelas pessoas que veem, que veem de verdade no mais fundo possível do outro. Estou dizendo, aqueles que não esperando nada e ao encarar alguém que talvez  nem conheça, acaba que por ver mais dentro dessa pessoa do que era capaz conseguir enxergar. Não estou falando de nada físico, nem coisa do tipo, estou falando de olhar nos olhos, não olhar, apenas ver, no sentido mais verdadeiro da palavra, ver a pessoa. E vê-la diretamente, atingir o cume mais extremo da alma dela, sentí-la, sem máscaras, sem disfarces, sem defeitos, sem beleza, apenas ela, no sentido mais puro, mais nu, mais verdadeiro. Se ela não tivesse um corpo, fosse homem ou mulher, criança ou idosa, ainda teria aquela essência que você conseguiu detectar, e pessoas que se veem, estão fadadas a se perderem, elas apenas estão de passagem, estão soltas, estão sozinhas, mas porque querem. Essas pessoas não esperam por ninguém, estão sempre partindo, ao encontro delas mesmas. A vontade que temos é de seguí-las, de não perdê-las, não perder o olhar, a descoberta, a sensação cósmica de serem seres humanos completos. No fundo, parece haver alguma ligação de outro mundo, que talvez nesse não faça nenhum sentido, mas é tao forte que sentimos um impulso de querer seguir aquele olhar, não importa onde ele me levará, pessoas profundas não devem ter segredos, enquanto simultaneamente são puro mistério.

Quero apenas estar próxima sem assustá-la, só quero encostar nela para ter certeza que existe, porque já sei que está viva, mas é tão surreal, que parece apagar todo o resto do mundo e mais nada é material. Eu a  vi, Jesus, ela também me viu, me assusto, me apavoro, onde me escondo? Meu pânico indisfarçável pode ser mais duro para ela do que pra mim, mas ela me viu, ela me viu exatamente no momento em que a via. Ela sabe quem sou, ela me decifrou, ela me viu nos olhos, viu minha força, minha fraqueza, minha dor. Não viu nada, viu a mim, viu tudo que era espiritualmente ligado a mim. Os olhos dela nem passearam pela paisagem, apenas correram diretamente para os meus, atingiram-nos mortalmente, não me julgaram, apenas me viram. E eu não sei o que eles disseram um para o outro, a comunicação dos olhares é algo maior do que palavras, são códigos inteiros, completamente sentidos e isentos de maldade. Pessoas que se olharam, se temem. Elas viram o lado humano sem nenhuma capa, foram pegas desprevenidas e fogem uma das outras.

Read Full Post »

Whitman

“Vai ser difícil você saber quem sou ou o que estou querendo dizer,
Mas mesmo assim vou dar saúde,
Vou filtrar e dar vida a seu sangue.

Não me cruzando na primeira não desista,
Não me vendo num lugar procure em outro,
Em algum lugar eu paro e espero por você”.

Walt Whitman

Read Full Post »