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Archive for outubro \02\UTC 2009

que um dia os dias parem

Os carros passam, os ponteiros giram, os muros caem, as pessoas andam. Ao contrário dos movimentos, eu resolvi esperar em silêncio, parei na calçada e deixei o tempo atravessar a rua com sua fileira interminável de dias longos.  Foi então que as coisas aconteceram e o dinamismo continuou  de uma forma que eu não pude acompanhar.

Eu me perdi nas passagens, nos giros, nas quedas e nos caminhos. Estática e mórbida. É bizarro como sei dizer poucas palavras, penso muito e não faço nada. Penso, porque estou parada, se estivesse dentro dos carros, olhando para as horas, derrubando as barreiras e caminhando com os outros, provavelmente não percebesse a travessia do tempo. Enquanto aguardo, sinto que estou na idade e situação errada. Também não quero aceitar o passado e não planejo nem imagino o que encontrarei do outro lado, logo à frente. Sim, estou incomodada com tudo que passa e não me dá a chance de agarrar e grudar em mim feito superbonder.

Pessoas, momentos, lugares. São todos uns fugitivos, se transformaram em lembranças e se resignaram a me deixar sozinha.

Quero congelar comigo aquelas cores, aqueles momentos, cada coisa que foi um presente destinado a ser passado.  Não quero lembranças, não quero saudades. Quero um hoje que seja para sempre.

Agora que está tudo apagado, meio acinzentado, eu fico pelo meio.

Meio da calçada, meio do chão, meio dos fatos. Só no meio, só existindo, como um poste – não sabe se vive, não sabe se faz alguma diferença, apenas está lá – com um fim limitado.

Sim, eu espero que muitas coisas se repitam, ou pelo menos que algumas sensações voltem. Não existe o eterno retorno? Que ele valha para mim.

Quero a minha felicidade ingênua de volta, quero as voltas.

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