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Archive for the ‘mau-humor’ Category

OBS: Acontece de às vezes eu não me lembrar da pessoa que fui ontem, portanto, fico sem entender quem eu era quando escrevi este texto.

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Eu te odeio.

Queria que você caísse numa cova e nunca mais fosse  encontrado, queria mesmo. Além do mais, eu não sentiria nenhum remorso de ser a única pessoa a saber que você está sofrendo e que vai morrer na agonia. Enquanto estiver com fome e sede, eu estarei brindando seus gemidos de desespero com um copo de coca-cola gelada acompanhada de uma rodela de limão. E estarei rindo alto.

Eu ainda não terei nenhum ataque de consciência ao ter a certeza de que o mundo sentirá a sua falta, porque nós dois sabemos que pessoas como você fazem a diferença, sempre fizeram.  Afinal,  são pessoas com o seu espírito que tornam o mundo mais doce, mais justo, mais suportável. Tudo isso porque além de existir, você vive e todos te percebem. Tanto que aquele termo “nem cheira nem fede” nunca combinou com você, sua natureza é unicamente entrar num lugar e dar cor, dar vida ao sangue daqueles que estão ali, faz com que todos sintam orgulho de estar ocupando o mesmo “espaço” que você. Admito que no começo também me senti assim,  mas descobri que não me fazia bem encontrar alguém tão isento de defeitos. Foi então que passei a sofrer de dores abdominais agudas  sempre que você se aproximava, enquanto dava saúde à muitos, você roubava a minha,  hoje me apaga.

Por muito tempo não entendi essa sua necessidade de impressionar, de deixar grifado seu nome onde que quer passe. Assim que descobri o quanto o mundo não te merecia, o quanto as pessoas são ingratas e hipócritas, cheguei à conclusão de que prefiro elas a você.  Eu odeio a sua verdade, eu odeio a sua transparência, eu odeio o seu amor pela vida e toda aquela autenticidade tatuada nos seus olhos. Eu quero matar a sua crença de um mundo melhor. Mais ainda, eu quero ser os macedônicos que destruíram Alexandre, o Grande, por temerem a sua sede de conquista. Aí sim, terei certeza de estar contribuindo para o fim do mundo simplesmente extinguindo aqueles indivíduos que o fazem valer a pena.

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humor f-errado, oras

Hoje eu queria fazer algum sentido, queria mesmo.

Fico pensando no que tenho a dizer em dias nublados,

mas eu ainda gosto dos dias claros, quando estou bem comigo.

Talvez não seja culpa dos dias marcados

com muita chatice, pelo céu errado.

Não entendo minhas tristezas sem razões,

nem minhas felicidades desesperadas,

meus risos exagerados,

e tudo aquilo que não sei controlar.

O que é espontâneo às vezes passa a impressão certa

e não sei se gosto dela.

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Açúcar com café II

O fato de estar sozinha não a tornava mais invisível, na verdade era até mais chamativa a ausência de um acompanhante. O silêncio que pairava entre ela e o outro lado da mesa se tornava assustador e o glub glub que o café fazia em sua boca chegava a ser ensurdecedor.

As pessoas que observavam os movimentos simétricos que ela realizava com a xícara deixaram de ser apenas uma impressão e passaram a serem reais, dolorosas.

Quanto mais tempo passava ali, mais torturada se sentia pela falta de algo que ela não entendia, a vontade de terminar imediatamente a bebida para assim ir embora se fazia desesperante, mesmo que ao sair dali ela fosse apenas partilhar solidão em outro lugar, ficar num mesmo local por mais de 5 minutos a fazia parecer um monumento histórico digno de atenção. Ou uma cabeça exposta na rua para os olhos de todos.

Há quanto tempo era dona de um coração tão gelado? Não era capaz de lembrar da própria vida sem estar sozinha numa mesa para dois, bebendo uma xícara de café bem doce. Ela não existia antes e segurar uma xícara quente parecia estar fadado a ser eterno, para sempre solitário, uma vida resumida.

No momento ela só consegue pensar em sair dali, correr é a melhor palavra. Correr enquanto chora, como geralmente fazem aquelas meninas da TV. Libertador, tentador… Mas ela não perde a compostura, não perde o ar de superior, se não há ninguém com ela é porque ainda não nasceu a pessoa certa para estar ao seu lado. Para viver o silêncio entre uma golada e outra de café quente açucarado. Agora ela está só, sozinha com o resto do mundo.

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Açúcar com café

cafe

A moça gorda que vestia um avental laranja deixou maquinalmente uma xícara de café sobre a mesa e perguntou  com a mesma frieza se a cliente desacompanhada desejava mais alguma coisa. Apenas um olhar negativo foi o suficiente para a garçonete deixar sozinha aquela mulher que aparentemente esperava por alguém, como todas as outras pessoas que sentavam numa mesa com duas cadeiras naquela cafeteria. Mas o que a dona do avental não sabia era que a mulher se sentou naquela cadeira apenas porque não existia uma mesa para pessoas solitárias, e que sem companhia ela só precisava daquele café, para lhe deixar aberta a mente, algo que também gostaria de fazer com os seus sentimentos congelados, embora não  lhe permitissem tal prestígio. Enquanto a vaga da cadeira a sua frente estiver vazia, ela  apenas pode mover a xícara até a boca e esquecer que não tem ninguém no mundo para ela.  E que talvez ela só atraia mulheres de aventais laranjas que não conseguem disfarçar o olhar de desprezo, de repente ela seja uma dessas mulheres também, de repente… Todavia, ao contrário da moça melancólica, aquele líquido parecia estar bem quente, pelando, fervendo, borbulhando… mas sem se importar ela se apressou a tomá-lo. O resultado foi uma queimadura na boca e  a percepção da falta de açúcar, aquele café tinha um gosto extremamente amargo, como o seu coração. Nervosa diante de sua culpada precipitação, ela entornou quatro conchas com açúcar e energicamente misturou tudo com outra colherzinha de plástico. Era assim que ela gostava do seu café, bem doce, quase mais açúcar que pó. Desejava fazer o mesmo com sua vida mesquinha, lançar o máximo de açúcar, abafar o gosto do pó… do escuro amargo.

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o trampolim

Túnel escuro, infinitamente longo, crescente, eterno.

Tudo que é incerto, inseguro,  fogo do inferno.

Futuro e suas  escolhas, alguém as faça por mim.

Mergulhar profundamente de cabeça e nua?

Antes do salto, a adrenalina fatal e crua

Nada mais que viver simplesmente.

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explosão

o que eu poderia dizer, pressinto o perigo,

perco o controle, morro a todo minuto,

como se a morte de uma pessoa fosse constante.

Esses dias são pesados, sufocados e despercebidos.

Não vejo, não tenho tempo de notar, só sentir.

Todo esforço que faço tem aquela imensurável chance

de se transfomar em pó.

Nem sei se respiro, sei que o coração bate,

bate, bate, bate, até o peito não suportar.

A qualquer momento pode-se ouvir algum grito ou na pior das hipóteses, visualizar um desmembramento.

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Ai vida tirana!

A malícia desse mundo está além do meu entender.

Fico incrédula com a minha capacidade de acreditar nos outros mesmo sendo óbvio que ali não tem essência. Devo ser a única na face da terra que nunca aprenderá com os tapas.

A causa da minha morte ainda será essa fatal ingenuidade.

Humildade e bondade o caramba, admito que é sonseira aguda mesmo.

Fran – a Revolta Pessoal.

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