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Posts Tagged ‘Adélia Prado’

Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
– dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Adélia Prado

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Hoje eu tive uma aula de literatura – nas próprias palavras do professor – muito charmosa. Como sempre fico muito empolgada com as aulas dele, resolvi postar dois poemas que ele recitou encantadoramente  para explicar sobre intertextualidade. Aqui temos uma paródia da Adélia Prado com o poema de Carlos Drummond de Andrade

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