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Posts Tagged ‘Emily Brontë’

Se alguém me pára e perguntas qual meu livro favorito eu sempre fico tentada a responder : “O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë.” Mas esse é o tipo de pergunta mais cruel que alguém poderia me elaborar.

Sim, ele é o tipo que de primeira eu destestei, porque na primeira vez que o peguei pra ler não tinha idade suficiente pra entender sua profundidade ou sua linguagem.

Deveria estar na sexta série, mas não era porque eu gostava de José de Alencar (que por sua vez também era um escritor romântico) que eu ia gostar do Morro, porque esse é sem dúvida muito mais complexo que José de Alencar (que na minha opinião é de conteúdo bem simples).

Por isso eu não consegui passar do quarto capitulo e lancei o livro contra a parede, o resultado disso foi que o pobre coitado não resistiu e se partiu ao meio.

Hoje entendo que o meu livro era tão sensível quanto os personagens que participavam da história.

Então ano passado Dóris me incentivou a tentarmos ler esse livro juntas. Foi uma leitura perfeita quando na verdade eu não esperava nada.

Naqueles dias acredito que eu já tinha maturidade suficiente para viver a história, uma história bem intensa.

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Conta-se sobre um amor, um amor impetuoso e temperamental. O amor obsessivo que não aguentou a pressão que o sufocava. Um amor colérico que não teve a oportunidade de ser tocado e vivido. Um amor que destruiu a todos que ousavam ameaçá-lo. O amor que se alimenta, até rompe barreiras como a morte

Heathcliff e Cath, o leão e a cobra venenosa. O que eles tinham em comum? Apenas o temperamento que dividiam, eram como dois animais que facilmente se irritavam e guardavam rancor , mas que sabiam ser ferozes na sua natureza de forma avassaladora.

Os dois só encontravam a calma e o sossego apenas próximos um do outro. Eles só conseguiam ser verdadeiramente eles mesmos quando se encontravam lado-a-lado. Eles eram inteiros juntos.

Ninguém os suportava individualmente, mas juntos eles se entendiam.

Cath Earnshaw uma menina mimada, interesseira, egoísta e de pavio curto. Ela era a filha mais nova do Sr Eanrshaw, trabalhador honesto e proprietário do Morro dos Ventos Uivantes, onde morava a família.

Que naquela época (séc. XIX) era uma região selvagem, desolada, varrida pelos ventos do norte.

A história é contada pela Sra Dean, a governanta da casa que viu as crianças Earnshaw crescerem e darem adeus à suas vidas infelizes.

Uma noite Sr Earnshaw chegou de Liverpool com uma criança misteriosa que encontrou na rua e ignorando as reclamações e contrariações da sua família ele resolveu adotar a criança, dando-lhe o nome de Heathcliff.

Heathcliff cresceu entre os irmãos Earnshaw, como se fosse o favorito de todos. O que acabou conquistando o ódio de Hindley e inicialmente os ciúmes de Cath. Mas logo a menina abandona qualquer sentimento de desprezo por Heathcliff, que era calado e aparentemente tímido.

Apenas o Sr Earnshaw que conseguia proteger Heathcliff dos maus-tratos de Hindley, mas só foi o velho morrer que a mordomia de Heathcliff foi parar no chiqueiro.

Cath então tornou-se a única que realmente tinha algum interesse amigável por Heathcliff, ela passou a ficar mais tempo com ele, brincando pelos arredores do Morro.

Aquilo tornou-se mais do que um amor infantil tentando suportar as barreiras de um irmão violento.

Mas não aguentaram, Cath foi incentivada a casar-se com Edgar, um jovem podre de rico que morava numa propriedade próxima, de uma maneira que enterrou o coração de Heathcliff para sempre.

Ele vai embora da vida de Cath para voltar rico e tentar reconquistá-la.

Daí pra frente a história só vai ficando cada vez mais intensa, pois Heathcliff torna-se um homem profundamente amargo e ainda mais frio. Cath passa a ser uma mulher mais sensível, rabugenta e frágil.

Tão frágil que morre no parto. Morre e leva junto o pouco que restou do coração de Heathcliff.

Ele já não tinha mais pelo que viver, senão para destruir a vida daquelas pessoas que jogaram a sua no buraco escuro do abismo.

Todos sofreram nas mãos de Heathcliff até morrerem. Ele tornou o sofrimento daquelas pessoas lento e doloroso até não aguentarem mais. Uma das vítimas das maldades de Heathcliff foi a filha de Cath, que também tinha o mesmo nome da mãe.

Ela tinha um pouco do gênio juvenil da mãe e a doçura do pai, Edgar. Ela enfrentou Heathcliff – apelidado por ela de monstro sem alma – com punho erguido até o fim. E venceu;

Existem personagens que me conquistaram muito, mas que não falarei muito deles para deixar todas as atenções para o casal incompreendido. Entre esses personagens está Hareton – filho de Hindley – e Edgar – marido de Cath .

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Eu não saberia dizer o que me fez apaixonar por esse livro, mas em poucas palavras foi a violência e intensidade dos personagens, mais a linguagem sofrida e furiosa da escritora. Não é um livro que a gente lê, mas que sente.

Sente a paixão, sente o ódio, sente a dor. Sente tudo em dobro.

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