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Posts Tagged ‘José de Alencar’

Senhora

 

Na sala, cercada de adoradores, no meio das esplêndidas reverberações de sua beleza, Aurélia bem longe de inebriar-se da adoração produzida por sua formosura, e do culto que lhe rendiam; ao contrário parecia unicamente possuída de indignação por essa turba vil e abjeta.

Não era um triunfo que ela julgasse digno de si, a torpe humilhação dessa gente ante sua riqueza. Era um desafio, que lançava ao mundo; orgulhosa de esmagá-lo sob a planta, como a um réptil venenoso.

E o mundo é assim feito; que foi o fulgor satânico da beleza dessa mulher, a sua maior sedução. Na acerba veemência da alma revolta, pressentiam-se abismos de paixão; e entrevia-se que procelas de volúpia havia de ter o amor da virgem bacante.

Se o sinistro vislumbre se apagasse de súbito, deixando a formosa estátua na penumbra suave da candura e inocência, o anjo casto e puro que havia naquela, como há em todas as moças, talvez passasse desapercebido pelo turbilhão.

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Eu li esse livro quando tinha 13 anos e nem sabia direito o que era literatura brasileira.

Mas fiquei muito encantada com “Senhora”

É um romance classificado como romântico urbano escrito por José de Alencar em folhetins.

A mulher nessa obra tem um grande valor, ela é idealizada de forma sedutora. Conta-se a história de Aurélia Camargo e sua repentina entrada para a elite carioca.

Quando pobre, Aurélia tinha um caso de amor com Fernando Seixas, um jornalista que precisa de grana rápida para pagar dívidas deixadas pelo pai.

Quando a delicada moça esperava que ele ficasse com ela para sempre, Fernando fica noivo de Adelaide Amaral pelo dote. Mas o coração do rapaz pertencia mesmo a Aurélia.

Decepcionada e cheia de ódio, Aurélia jura se vingar de Fernando. Até que lhe aparece uma chance.

Um avô que nunca sabia ter existido morre, e lhe deixa uma herança estupendamente gorda.

 É nesse momento que Aurélia entra na parte dominante da sociedade. Mas ela entra de forma tão esplêndida que cativa a todos. E logo chama a atenção de Fernando, que sempre a amou.

Ela lhe propõe casamento e ele aceita.

E ai começa a história. Enquanto todos pensam que eles são o casal perfeito, na verdade é tudo fetiche de Aurélia. Era parte do plano dela comprar Fernando para fazê-lo sentir-se um estorvo, um escravo dela e não um marido. O que causa um tremendo choque em Seixas, pois esperava um tratamento amoroso vindo da esposa. Eles nunca chegam a consumar casamento, e isso era para aumentar ainda mais a humilhação do homem.  Que era uma espécie de brinquedo de Aurélia.

Isso já deve servir de recado para os rapazinhos que resolverem mexer com a fragilidade de uma mulher… Nada como uma mulher com ódio, parece um furacão que ninguém segura.

A verdade é que Aurélia tem um comportamente equizofrênico, com sentimentos contraditórios. Dividida entre o amor e ódio, entre a vingança e o perdão. O amor parece ser a sua salvação, no entanto ela se redimi a perder o homem que ama por causa de seu orgulho.  

Cansado de se senti envergonhado e desprezado pela esposa que ama, Fernando não ve a hora de romper esse casamento com Aurélia. Com muito trabalho no jornal, muito suor de trabalhador, sem parar em casa – principalmente para não ter que enfrentar o rosto gelado de Aurélia todos os dias – ele consegue juntar uma boa quantia em dinheiro para poder devolver a parte do dote de sua mulher amargurada. Dessa maneira ele poderia anular o casamento de forma justa, pq afinal não houve consolidação do casamento;

 Esse conflito entre os protagonistas gera momentos de grande emoção e sofrimento. É desse embate entre o desejo de vingança e o desejo de amar em plenitude que nasce a ação psíquica que se transforma em enredo. O psiquismo da obra critica uma sociedade que valoriza mais a aparência e o dinheiro que os sentimentos humanos, a idealização das personagens reflete o universo romântico presente na obra.

A realização amorosa só se cumpre depois de Aurélia vencer a aparente esquizofrenia que parece conduzi-la á dúvida quanto às intenções de Fernando Seixas. O comportamento esquizóide manifesta-se nas atitudes antitéticas de desejar o amor do marido com todas as suas forças, mas lutar contra o mesmo até suas últimas reservas.

No final eles serão separados pelos interesses econômicos, mas serão unidos pelo amor puro, pela certeza de não haver mais nada que envolva dinheiro entre eles.

 

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O Guarani

o-guarani.jpgAutor: José de Alencar

Devo primordialmente prevenir meus visitantes que quando tive a intenção de ler essa obra de José de Alencar não estava muito empolgada.

É um trabalho da escola, a leitura ficou parecendo forçada, me obriguei a ler esse livro, não gosto disso! Eu tenho Cem anos de Solidão pra ler, então por sua vez O Guarani atrasa a minha vida.

Mas não é que a história é boa?

Muito boa mesma, a leitura vai ficando cada vez melhor!

É a história do índio Peri que tem uma adoração pela inocente Cecília, uma branca filha do fidalgo D. Antônio de Mariz, a quem Peri tem como um grande amigo.

É linda a narrativa romântica de José de Alencar, que não fica cansativa e sempre mostrando o lado belo da natureza. Um livro, aliás, completamente patriótico. Onde o índio é o herói.

Mas confessarei uma coisa, não tive lá muita simpatia pela Ceci, ela é um pouco bobinha. Está sempre sendo mimada e protegida. TODOS NO LIVRO QUEREM PROTEGÊ-LA.

Exceto claro, o Loredano. Um ex-frade que abandonou o clérico para saciar sua ambição por riquezas materiais. E então esse homem coloca em risco a vida de Ceci. Que do nada aparece com a insinuação de desejos sexuais, ou obsessão pela menina. Afinal, Ceci é linda!

Mas não só ele, os Aimorés também. Porque resolvem atacar a pacífica morada de D. Antônio de Mariz.

É ai que entra nosso herói Peri, para defender sua senhora.

Existem outros personagens de muita importância, como Alvaro e Isabel que dão muita sensibilidade a palavra amor na história.

É um livro baseado na honra, na dignidade e no heroísmo.

Vale a pena ler!

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